Não sei, se fui eu ou os outros que me aprisionaram.
Com certeza foram os outros e eu consenti.
Como uma desculpa.
Deixei que fossem os outros, é essa a verdade.
Sempre é mais fácil culpar, do que culpar-me.
Preciso sair.
Hoje olhei pela janela, reparei com surpresa, que as andorinhas começaram a construir os seus ninhos nos beirais dos telhados ali em frente.
Fiquei parado a olhar como se fosse a primeira vez, como se me tivesse esquecido da vida e dos seus ciclos.
Há muito que o exterior à casa, de mim, não me interessava.
Reparei na cor dos meus olhos castanhos avelã, há tanto tempo que não me olhava ao espelho.
Só por dentro, trancada, sem voo nem brilho.
Quero sair
para fora de mim.

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