Tenho uma tendência para escutar em silêncio aqueles que me falam de
coisas que só mais tarde sei vir a entender. São pessoas que representam aquilo
que virei a ser, mas que ainda não sou. Falam-me de emoções, sentimentos,
situações que ainda não é suposto sentir, nem viver, porque ainda não tenho a
sua idade. São pessoas com passados mais distantes do que o meu, mais sábios,
mais serenos na sua atitude, pessoas para quem o tempo já tem a sua própria
velocidade e obediência. Gosto de escutá-los
em silêncio porque me identifico com a sua linguagem. Ainda não a entendo, mas
sei que vai chegar um momento na minha vida em que não vou precisar de
dicionários ou enciclopédias para a compreender. Vai chegar um momento na minha
vida em que vou poder enfim falar para aqueles que por sua vez também me vão
escutar em silêncio.

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